sexta-feira, 30 de outubro de 2009

em meio a bolas de feno...

Digamos que dentro de 4 meses eu não tive muito o que escrever aqui. Não que agora eu tenha. Desconfio que vou escrever, escrever e nada dizer. Mas eu preciso exercitar meus dedos... hahaha. Mentira. Eu só tive vontade de vir aqui e tirar as teias de aranha deste local cheio de textos bobos e velhos. Tbm vim dar um olá as caras almas penadas que ainda circulam por este blog. Depois de mil anos sem dar o ar da graça, o que eu espero desta postagem é apenas vácuo.
São quase 4 da madrugada e eu me sinto meio ridícula por estar aqui, tão tarde. Porque eu penso "realmente, eu não tenho o que fazer da vida". São quase 4 horas da madrugada, porra. Eu deveria estar dormindo. Deveria? Mas tudo bem, o que posso fazer se não tenho sono? E me sinto mais ridícula ainda por eu estar escrevendo como se estivesse falando comigo mesma. Todas as vezes que me pego falando comigo mesma, me sinto uma ridícula. Ser ridícula não me afeta muito, ou melhor, é bom reconhecer que sou ridícula. Sem relação com problemas de baixa auto-estima. Compreenda o "ridícula" no sentido mais suave que a palavra possa ter. Então, eu sou suavemente ridícula.
Depois de um dia exaustivo, trancafiada em meu lar-doce-lar, e filosofando diversas teorias de quinta categoria, daqui a pouco é hora de eu recarregar a bateria. Desligar o computador, me levantar da cama, tentar guardá-lo em algum lugar em meio a escuridão do meu quarto que está sem luz, torcer pra que eu não tenha esquecido algum prato do lado da cama, pra não pisar nele e não fazer aquele barulho escandaloso que quase sempre faço e que faz acordar quase todo mundo que está dormindo. Em seguida arrumar minha cama com a habilidade ninja que adquiri em dois dias no escuro, já que prefiro manter a luz vermelha do abajur desligada (só ligar em casos de emergência), devido a sensação estranha que ela me dá. Mesmo eu ainda insistindo em achar que luz vermelha é interessante. Deitar, e pensar em alguma bobagem (processou sacanagem? pula) até que o sono chegue e me leve até mais tarde.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

muita alegria pra muito mais tédio

Não sei o que eles veem em mim, mas sei o que vejo neles: remédio pra minha solidão, alegria pro meu tédio.
Rir das fotos da peituda metida a gostosa da turma.
Rir da tia com cara de mal-comida da lanchonete, que economiza na maionese.
Rir do namorado chato dos outros.
Rir de quedas catastróficas.
Rir dos peidos na biblioteca.
Rir dos cochilos em palestras.
Rir de enchentes.
Rir de voadoras e tapas na cara.
Rir das confissões, do tipo "passei dois dias sem tomar banho".
Rir dos desastres amorosos.
Rir dos pesamentos pervertidos.
Rir dos vexames causados pelo álcool.
Rir das dancinhas toscas.
Rir das pérolas ditas.
Rir de nós mesmos.
Do que passou e do que não passou.
Das ironias da vida e um pouco mais.
Em lugares apropriados, ou não.

Nos encontramos e percebemos que nunca mais tínhamos rido tanto. Nunca mais tínhamos sido tão bobos. E nunca mais o tempo tinha passado tão rápido.
Os maiores lapsos de alegria, acontecem quando estou com meus amigos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

morri aos 18 anos*

Eu nasci, no último dia do ano, o médico deu tapinha na minha bunda, e eu chorei. Um bebê frágil e amarelo. Um franguinho com pouco mais de três quilos. Conheci minha mãe, me alimentaram e me recuperei da tal fragilidade física. Nunca fui uma criança muito fácil de lidar, mas existiam piores do que eu. Meu raciocínio não se desenvolveu muito rápido. Quem sabe tenha sido pelo fato de eu sofrido queimaduras de primeiro e segundo graus, em menos de 5 anos de existência. Ainda sou lerdo até os dias de hoje, mesmo sabendo que tenho inteligência considerável. Fui levado ao médio e fizeram exames em mim, com suspeita de eu ter algum distúrbio mental, já que colecionava caixas de fósforo, ao invés de brincar com brinquedos normais. Nada foi detectado. Joguei bola. Pulei muros. Esfolei o dedão do pé. Tive muitos carrinhos e fazia meus bonecos de massa. Roubei doces na vendinha. Soltei pipa. Brinquei com meus piões. Tazos. Ioiôs. Chimbras (que equivalem a bolas de gude). Joguei Nitendo. Assisti a muitos desenhos. E fui viciado em Cavaleiros do Zodíaco. Me destaquei com meus desenhos. E cheguei a pensar que teria algum futuro com isso. Sei lá, talvez me rendessem algum dinheiro e reconhecimento. Talvez. Passei de ano sem precisar estudar com muito empenho, no geral, foi assim. E ainda cobrava quando queriam meus serviços para trabalhos escolares. Soquei muitos moleques da escola e tirei sangue de muitos narizes. Desrespeitei professores e matei muitas aulas chatas. Ganhei muitas suspensões e fui expulso diversas vezes. Devo ter estudado em uns quatro colégios diferentes. Não tive muita aptidão para esportes, principalmente para o futebol. Apanhei. Nunca do meu pai. Sim da minha mãe (e dos que não conseguia bater). Mas sempre tive preferência por ela, em disparado! Na verdade. Nem sabia como era ter um pai. De verdade. Presente. Nunca sofri por isso. Cresci, cheguei aos 190 centímetros de altura. Fui um adolescente idiota, como são todos os adolescentes. Por sorte, não fui espinhento. Me defini por música, amigos, cabelo e atitudes (ou pela falta delas).

Agora, não tenho mais 7 anos, nem 10, nem 15, nem 18... Tenho 20, e a melhor época passou. Me apresentaram a vida cruel, injusta, difícil... e eu morri. Amigos? Aventuras? Perigos? Despreocupação? Nada é o mesmo.

Estou sem grandes expectativas. Sou pressionado e cobrado a todo o tempo. Entediado. Sem grandes compromissos. Rabugento e questionador. Buscando por alguma paz. À espera de ser ressuscitado.


(Este é um pouco do meu único-irmão-porre-mais-novo-preferido, por minhas palavras de irmã chata e briguenta.)
*É o que ele mesmo diz.